O boicote ao São Paulo liderado por Flamengo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Atlético-MG, Ponte Preta, Coritiba, Goiás e Cruzeiro, é legítimo e justificável. Não é fácil investir em um menino que muitas vezes chega ao clube com 11, 12 anos de idade, dar educação, assistência médica, alimentação e muitas coisas mais (incluindo dinheiro), para perde-lo tempo depois sem compensação financeira.
O Corinthians por exemplo, como casos mais conhecidos, perdeu Marcelinho que no Morumbi virou Lucas (hoje no Paris Saint Germain). Há pouco tempo, viu Bruno Dip, lateral sub-15, parar em Cotia com um salário de R$ 6 mil / mensais, logo após ser convocado para a Seleção Brasileira da categoria.
No globoesporte.com
Clubes acusam São Paulo de ‘roubo’ de atletas de base e armam boicote
O problema é muito sério. Li alguns comentários de torcedores são-paulinos, dizendo que como a estrutura de Cotia é ótima, dane-se os demais. O pensamento não só é equivocado, como fere a ética estabelecida entre os clubes.
Estrutura
Cotia realmente tem uma estrutura que agrada qualquer atleta que espera se profissionalizar em um clube grande. Da mesma forma, existe Xerém (Fluminense), o CT Meninos da Vila (Santos) e outros tantos. O Corinthians também não ficou atrás e já com uma boa estrutura, prepara um CT de primeiro mundo para a formação de seus atletas. O problema não está aqui.
Ética
Existe um protocolo estabelecido entre os clubes que foi ferido pelo São Paulo. No ano passado, clubes da Série A e B, estabeleceram um pacto para evitar problemas do gênero. Não estaria permitido qualquer tipo de negociação de jogadores jovens sem a anuência do clube formador. Há inclusive uma lista de e-mails com todos os coordenadores dos clubes. O São Paulo violou o acordo.
Jogadores, seus pais e empresários
Tudo isso acontece não só pela postura equivocada da coordenação da base são-paulina. A cabeça dos pais de jovens atletas e empresários, que buscam desde os primeiros passos do futuro atleta grandes contratos e vantagens financeiras, abre o precedente para tal aliciamento. Não justifica, mas é parte do processo.
O que fazer?
Já que conscientizar os pais e os atletas, que honrar o compromisso com o clube que acolheu o jovem, é uma tarefa quase impossível, até porque seria complicado enfiar na cabeça de um menino de 15 anos que ele não pode sair da Ponte Preta para jogar no São Paulo, o boicote é o caminho correto. Se foi criado um protocolo e o São Paulo não obedeceu, ponto final. Que os clubes se retirem das competições. Infelizmente, todos serão lesados. Afinal, é importante para a base disputar campeonatos até para evolução técnica de seus atletas. Mas, para perder seus destaques para quem não é capaz de respeitar uma simples regra, é melhor assim.
Lamentável.
Nenhum comentário:
Postar um comentário