quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

LUTO - isso não é Corinthians !!!!!!!!

A consternação é muito grande quando você vive a morte de perto. Sequer acompanhei direito o segundo tempo do empate do Corinthians contra o San José. Informações chegavam de forma desencontrada, o clima de tensão e apreeensão dominou o estádio Jesús Bermudez e sinceramente não sabia como me comportar. Publiquei meu texto pós-jogo imediatamente no apito do árbitro. Confesso ter sido um dos piores textos da minha vida. Escrevi desconcentrado ainda durante o jogo e só queria sair dali e mergulhar na situação do falecimento do garoto Kevin Beltran Espada. Inicialmente, meu instinto me guiou a buscar uma defesa para os torcedores do Corinthians. Todos sabem que os corinthianos são odiados pelo demais, chamam os torcedores de bandidos, enfim: vocês conhecem o discurso. Escrevi um post no calor da emoção e depois relendo não concordei com nenhuma palavra. Apaguei. Pensei muito antes de escrever esse texto mas não posso me acovardar perante a situação. Ainda que não me caiba apontar culpados ou absolver, viver a situação de perto e ser o piloto desse espaço, me obriga a expressar uma opinião baseada nos fatos. A morte do garoto boliviano poderia ter sido evitada. Qual a razão de levar um sinalizador de navio? É um artefato poderoso e perigoso. Por acaso o estádio iria afundar? Não creio. Por mais que não exista dolo, e nisso acredito fervorosamente, o que aconteceu em Oruro pode ter sido um acidente mas não foi uma fatalidade. Fatalidade é um destino inevitável. O que aconteceu poderia não ter acontecido. O torcedor poderia não ter levado o sinalizador, a polícia poderia ter sido mais rígida e revistado os torcedores, o artefato deveria ter sido usado de forma correta, enfim: mesmo sem dolo, trata-se de um homicídio. Um menino morreu vítima de um “tiro” de sinalizador. Cada um tem seu lugar no estádio. Quando eu era criança, ia de numerada com meu pai. Passei a adolescência e o início da fase adulta na arquibancada. Hoje vou de laranja e quando saio de São Paulo me foco em trabalhar bastante e fico no local destinado a imprensa. Já vi jogos em muitos lugares e posso dizer que sempre admirei a festa proporcianada pela arquibancada. Incentivo gritando, usando minha camisa, vez ou outra um boné ou um cachecol. Vejo aquele escudo maravilhoso da Estopim da Fiel, ouço os gritos diferentes da Camisa 12 e da Pavilhão mas principalmente pelo tamanho, admiro e tiro fotos dos enormes bandeirões que a Gaviões exibe mundo afora e decoro as músicas e gritos. Os rituais são parecidos. Não basta isso para fazer uma festa? Todos entram no estádio à vontade, ainda que o consumo de álcool seja proibido todos tomam sua cervejinha antes de cada jogo, é um local de confraternização de amigos e um momento sagrado para o amante do futebol. Precisamos dos fogos de artifício? Eu sei que nunca tinha acontecido algo assim envolvendo corinthianos. Da mesma forma que nunca tinham morrido 260 estudantes em uma boite. Com o precedente aberto, não é hora de proibir o uso dos artefatos? Até quando os torcedores organizados seguirão sendo marginalizados pela imprensa e crítica em geral? Não é hora de parar de dar margem? O futebol não pode acabar dessa forma. Para quem veio até Oruro, os momentos eram de inesquecível alegria. O time jogando ou não, era para estar comemorando o empate e uma invencibildade de 15 jogos em Libertadores e a proximidade de um recorde. Mas agora precisamos conviver com a morte de um menino, os bolivianos revoltados e 12 torcedores presos. Algo tem que acontecer. O responsável precisa ser preso e condenado? Não sei. Acidente? Sim, afinal ele não quis matar. Mas uma decisão precisa ser tomada para que o exemplo seja dado. É uma pena que o Corinthians de tão bons precedentes nos últimos anos, seja o time que estará ligado ao acontecido. Tite foi sincero ao dizer que trocaria o título mundial pela vida de Kevin. As lágrimas derramadas por nosso treinador, por Edu Gaspar, a cara fechada de todos os jogadores e o clima de velório, refletem não só a consternação pela morte mas também um misto de constrangimento e vergonha. Um torcedor em um ato irresponsável, manchou um capítulo de nossa história. Que o Corinthians possa prestar toda a assistência possivel aos familiares do garoto morto. Sinceramente não consigo pensar em uma possível exclusão da Libertadores por conta do ocorrido. Que diferença faria? O menino vai voltar? Não vai. A vergonha não é de ser corinthiano pois isso é e sempre será motivo de orgulho. A vergonha é mais pela impotência em relação a situação. No país, segundo o próprio depoimento dos jogadores e diretoria, que melhor recebeu o Corinthians, deixamos uma página maldita escrita. Acidente sim. Fatalidade não. Paz para os familiares de Kevin, sabedoria para o envolvido enfrentar a situação e cabeça erguida para seguir em frente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário